Debaixo da Graça

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13 de Julho de 2010

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Qual o remédio para um homem depressivo, agressivo, com um contrato matrimonial desfeito (casamento só diante do altar de Deus) e cheio de mágoa no coração? A graça de Deus, o toque do Espírito Santo. Mas isso não acontece de forma abrupta e instantânea; pelo menos não foi assim comigo. Como eu costumo dizer: Deus não arromba a porta, ele bate e aguarda.

Tendo recebido formação católica na minha pré-adolescência (fiz primeira Eucaristia), por volta dos quinze anos abandonei a Igreja. Estudei outras religiões e freqüentei uma ou outra, mas sem nunca me sentir preenchido. E nunca pensei em retornar à Igreja Católica.

Meu retorno se deu num período muito conturbado de minha vida; de sofrimento psíquico e físico. Eu cursava Comunicação Social na UNEB, e tinha que fazer um trabalho de Antropologia com minhas colegas: observação de cultos religiosos, entre eles, uma missa. Como era para nota, eu tinha que ir. As minhas colegas de equipe escolheram certa igreja no bairro da Pituba. Tudo normal, se aquela não fosse a Missa de Cura, celebrada pelo Frei Paulo Avelino, homem bastante usado pelas mãos de Deus, na paróquia Nossa Senhora da Luz.

Igreja lotada, quase não havia lugar para ficar. Os carismas do Espírito Santo se derramavam naquela missa como uma chuva intensa. Eu cheguei como observador acadêmico, imparcial, insensível, mas saí de lá “abalado”. A partir daquele dia, eu pensei: “preciso voltar nessa missa”. Era o mês de agosto de 2009.

De fato, comecei a ir, inicialmente, só às missas de cura, sem muita assiduidade, mas ia. A consciência do pecado, do lixo que minha vida tinha se tornara, ia crescendo. Cheguei a ficar, certa feita, setenta por cento do tempo de joelhos. Era quando eu me sentia melhor. O toque suave de Deus é mais poderoso que qualquer blindagem e dobra qualquer brutamontes.

Com o passar do tempo, a necessidade de me aproximar mais de Deus e da Igreja foi crescendo. Passei, então, a freqüentar as missas dominicais das 8h30 na paróquia (missa da renovação carismática). E Frei Paulo, numa dessas missas, falou (por meio do dom de ciência) coisas dirigidas a um homem, que ele situou na posição em que eu me encontrava, no último banco da igreja. Tinha que ser para mim. Deus olhava para mim e falava através do seu instrumento. Participar da missa aos domingos e das missas de cura se tornou uma necessidade, como comer. Mas ainda me faltava algo: uma boa Confissão.

Frei Paulo era bastante ocupado e procurado, e por duas vezes voltei para casa sem conseguir me confessar. Mas, na terceira tentativa, aconteceu: lá estava eu, diante daquele que, mais tarde, convidei para ser meu padrinho de Crisma (espero que ele possa comparecer).

E comecei a abrir meu coração, como há muito não fazia. Falei de como eu cheguei à paróquia, dos caminhos que tinha trilhado até então e da minha situação pessoal. A partir daí, as lágrimas brotaram com abundância, como também há muito não acontecia. Foi uma verdadeira catarse, ou melhor, uma punção de um abscesso, para restituir a saúde ao doente. Ao final, o frei impôs as mãos sobre minha cabeça com unção, absolvendo-me, e eu senti a imensa misericórdia de Deus sobre mim. Também recebi dois tesouros como presentes: um terço e um livro. Saí dali com uma penitência e uma tarefa (hoje eu entendo o porquê de ambas): rezar o terço (que nunca tinha aprendido na adolescência), e ler o tal livro: O Livro da Vida, com o testemunho de Glória Polo, dentista colombiana que foi dada como morta e reviveu. Nunca esqueci uma das últimas frases do meu confessor: “filho, você vai ver como depois desta confissão, tudo vai mudar”. E eu nunca mais fui o mesmo.

Quando saí da igreja, eu senti que podia voar. Fui direto para casa. No início da noite, me recolhi e rezei o terço (que se tornou hábito, e no dia que não consigo fazê-lo, fica faltando algo). Li o livro de Glória Polo em menos de uma semana. Foi o primeiro de uma série de livros que li, desejoso de aprofundar e consolidar a minha fé. Ainda tenho adquirido e lido alguns, e estou descobrindo quão séria, rica e bonita é a nossa Igreja. Qual filho pródigo, eis que estou de volta à casa do Pai, para crescer e servir, debaixo da Graça de Deus.

Joilson Santos Amâncio
Crismando do Ano da Graça de 2010, mês de maio.
josaman@bol.com.br

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